Tenho pensado seriamente
em ter um animalzinho em casa. Quero chegar a casa e ter uma bola
de pelos, a volta das minhas pernas, ansiosa pela minha chegada -
nem que seja por querer comida – algo com que me preocupar,
dar carinho, partilhar espaço, enfim, uma companhia. Temos até
algumas similaridades: nariz eternamente frio e molhado!


Desde criança que tenho
contato com os animais. Minha avó materna possuía em seu quintal
uma espécie de "viveiro" de gatos que apagava na rua para tratar,
além de possuir um galo e um cão. Com ela aprendi a cuidar e amar
os animais. Por volta dos dez anos, tive um cão - o Floquinho - que
tive que dar quando ele ficou adulto e destruidor das coisas
alheias. A Mik, uma gata preta, que caiu do muro da minha casa,
magoou a pata e cuidei dela. Lá ficou por 15 anos quando, enfim,
morreu de hepatite. Ainda tive: um casal de hamsters, que
fugiram; um casal de codornas que minha irmã deu para um amigo; um
sagui que também veio a falecer com a idade; uma rã que pulou do
aquário e evaporou-se; peixes que acabaram por morrer com o tempo;
uma lagosta que sobreviveu a uma viagem de avião, entretanto, não
sobreviveu a velhice; e quatro tartarugas que com minha separação
tive que abrir mão delas. Enfim, uma bicharada, quase um jardim
zoológico. Depois, conscientizei de não ter mais animais pela
chamada “liberdade” dos mesmos na natureza. Mas os
animais domesticados como cães e gatos, estes sim, podemos
compartilhar espaço e afeição.

Parecem dizer
tudo com o olhar...
Bem,
esta ideia anda as voltas na minha cabeça, mas na verdade não é
fácil ter animais. Minha preferência sempre pesou para o lado dos
felinos. Adoro o jeito languido e sensual dos gatos, além de serem
os mais limpos animais de estimação. Desde então venho a namorar os
gatos alheios. Gostava de ter um miau! Estive a pensar nos
seguintes pontos: vacinas e medicamentos. Todos os animais
necessitam de medicamentos e prevenção de doenças. Requer cuidado e
gastos. Também será necessário castrar o bichano ou bichana, o que
me leva a pensar novamente em despesas. Agora vem o principal
motivo da minha reserva: e quando eu viajar? - coisa que faço
constantemente nas férias e ausento-me nos fins de semana. O que
fazer? Pedir a alguém que fique com ele e mudar os hábitos da
pessoa e, principalmente, do bichano em causa? Ainda, pedir alguém
que o alimente em minha casa durante minha ausência? - o que
significaria o mesmo de pedir a uma pessoa para ir a China, porque
eu moro num lugar de difícil acesso, isolado e solitário, só mesmo
eu para morar num alto de uma colina. Outra hipótese seria deixar
em um hotel para animais. o que seria muito dispendioso. Também
estive a cogitar levar comigo, mas para levar um animal no avião
também não é fácil, além de pagar um preço elevado para transporte.
Arre! Como é difícil ter um animal de estimação!!!! Ou será que
complico muito as coisas? Talvez...
Muitas pessoas
não se preocupam com estas questões. Caso necessitem viajar, deitam
seus animais na rua e quando voltam vão à procura de outro para
substituir o desprezado. Aqui em Portugal acontece muito este tipo
de coisa. Eu pessoalmente apego-me aos animais e sofro se algo não
se passa bem com eles. Não sou do tipo que cansou de uma
determinada coisa, despreza, deita de lado e diz simplesmente: "já
não te quero mais!". São pessoas más e desprezíveis e que não sabem
o que querem da vida e fadadas a serem eternamente
infelizes.
Bem,
o fato é que, por enquanto, vou limitar-me a namoriscar os gatos
alheios e me contentar com a visita rotineira do Rex, um jovem
pastor alemão, que ao fim da tarde quando ouve o barulho do meu
carro, sobe a estrada e faz questão de me cumprimentar alegremente
quando abro a garagem. Digo-vos, depois de um dia de trabalho, é
gratificante.
Ah, por favor,
não deixem vossos bichanos à solta por aí, pois meu coração pode
sempre falar mais alto e não resistir a um “MIU”
miudinho e apelativo.

Podemos resistir
a sua beleza e sensualidade?

Sempre nos
encontram quando estamos perdidos...

Preenchem os
espaços vazios...

Estão ao nosso
lado nos momentos de solidão...

E naqueles em
que necessitamos de um ombro amigo numa longa
jornada
que é a
vida...

Mulheres e
gatos, meiguice em dose dupla!

E como não poderia
deixar de ser, combinam muito bem com a minha "Lunallena" não
concordam?
Liz
Comentários